" Em verdade vos digo :
Seja a Alma grande ou pequena,
escute meu amigo!
Nem tudo vale a pena!"

(zé)

Perdida em devaneios...
Confusa?
Confesso!

E assim me sinto...
Não sabendo que rumo tomar ,
Ao longo desse meu caminhar.

Se ando
Ou se paro,
Se grito ...Se calo .

Se ignoro
Ou se atendo ,
Se protesto... se defendo .

Se afasto
Ou se abraço ,
Se construo... se desfaço.

E assim sigo ...

Perdida na confusão do mundo...
Perdida na confusão de mim...
Perdida na confusão de tudo...
Perdida na confusão sem fim..
(Giselle Lacerda S.)
... Nova contribuidora da equipe Zémantica, exelente poetisa, pena que não se dá conta disso, pena que não escreve com mais frequencia...
(Foto da autora)

ABAIXO A CARA-PINTADA


"(...)Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa! "
(Raimundo Correia)

ABAIXO A CARA-PINTADA

Você,menina, que me diz,
que eu nego a felicidade,
Que assim não serei feliz...
Você que nega a realidade,
Pintando o próprio nariz!
Digo menina,sem maldade:
-Pintar o rosto,eu nunca quis!
A pasta d'água é falsidade!
De quem finge felicidade,
mas no fundo vive infeliz...

Há tanta gente pintada no mundo
pintam ums sorrizos gigantes!
Pintam um verso profundo
da vida,dizem-se amantes...

Falsidade,menina,é falsidade!
É auto-defesa,sei que é!
Não há amor, nem felicidade
não há esperança,nem fé...
Eu não me pinto,menina,sou verdadeiro!
meu pranto eu deixo o mundo ver!
Com ele eu me lavo por inteiro
E deixo a ferida doer!

Meu banzo,menina,é puro sentimento!
Sou humano,não palhaço fingidor
Eu canto os meus descontentamentos
Eu faço odes para a minha dor!

Sou humano,menina,sou anjo caído
Sou o fruto do pecado de Adão
Sou verdadeiro no que tenho sentido
Não vou me vestir de colorido
Não vou me enfeitar de ilusão!

Entenda menina,este dismilingüido
Poema em auto-contradição
Não sou?Não finjo ser,nem ter sido!
Não vou me pintar de colorido
Nunca trairei minha razão!

Serei o que sou,sempre teu amigo
Companheiro,confidente,irmão...
Mas se me quiser andando contigo
Aceite a franqueza do meu coração!

(Zé Gabriel F.)

Quinta-feira

Eram os toques ainda tímidos...
Eram as línguas, guerreiras úmidas!
Eram os olhos, castanhos pálidos!
Eram as mãos, amantes súbitas!
Eram os braços, serpentes lânguidas!
Eram as pernas, carvalhos trêmulos!
Eram os seios, copázios lácteos!
Era a vertigem, quimera mítica!
E era tudo verdade tácita!
E o meu corpo, cadente e trôpego...
Era o calor do sol da África...
E o gemer, a bela música...
E foi na quinta, não foi num sábado...
E foi o gozo, vertigem lúdica...

E foi morrendo a verdade tímida!
E foi secando a vergonha úmida!
E foi vestindo, teus seios pálidos!
No coração, batidas súbitas!
E nos teus olhos, meninas lânguidas!
Em tuas carnes, mil sonhos trêmulos!
Cobriram toda a via láctea!
Como uma grande serpente mítica!
Com cores vivas e face tácita!
Me aprisionou, ainda trôpego...
Como a um negro vindo da África...
E a tua voz, como uma música...
Me fez lembrar que num velho sábado,
Teu corpo ainda era promessa lúdica...

(Gabriel F.)